quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

- FORA de SERVIÇO - Galeria SERPENTE, 6 Março, Porto





Das Palavras e das Imagens: O Desenho -Multimédia


A utilização eclética de meios e suportes - uma aparente indisciplina assesta o Autor para territórios que o levam a assumir-se como objecto central da trama global, sendo ele próprio quem articula esses meios, da escrita, ao desenho, à fotografia, à instalação, à performance e ao Vídeo. Encaradas formas de expressão da liberdade criativa demonstrativas das capacidades do autor em manobra-los de forma multidisciplinar, na opinião de Perejaume[1], poderão transforma-lo em herdeiro de um certo “vanguardismo”, uma vez que estas formas de expressão fazem parte de uma evolução dos processos e dos meios.

[1] In “O autor indisciplinado”, catálogo da exposição “Entre a Palavra e a imagem” – Lisboa, 23 de Fevereiro a 29 Abril 2007, Museu da Cidade, Pavilhão Branco e Pavilhão Preto.









- FORA de SERVIÇO - desenho-multimédia - 6 Março
- Galeria SERPENTE, Porto, 2010



O Grifo Real recortou-se no cascalho salgado e eclipsou o lírio bamboleante. Visão púrpura na parada florida. Cospe decibéis de fogo há três dias sem pestanejar o fio dental preso no néon. Alucinante cadencia, turba endiabrada. A silhueta ruminante do Lucky Luke já não fuma Lucky Strike. Acendam-se os “chamiços” do mundo, faça-se um brinde saudavelmente feliz. Mozart foi para casa compor um “requiem”.






Enxuto, seco e sem descanso deixou-se ficar encostado à penedia observando ao longe qual azul imenso bravio. Espumado de ira tentou ver o que do outro lado ouvia. Deu um passo. Depois outro. Depois foi a casa, a correr, buscar a mulher e os filhos. Pelo telemóvel chamou os amigos, as mulheres e os filhos e os outros amigos. Assomaram o precipício vazio. Espumados de assanho todos queriam ver o dourado das cornetas engalanadas, do outro lado. O odor neblino a podre, escureceu o horizonte. Acenderam archotes vitoriosos. Todos deram um passo, seguiram em frente. Do norte, o vento fresco traz o meloso cheiro das flores presas no bouquet flutuante.







O jardineiro que desadorava flores aos sábados à tarde passeava de charrette e comia bolas de Berlim açucaradas – O povo è sereno, o povo è sereno, o povo è sereno, o povo è sereno – Wagner foi à casa de banho fumar um charuto e logo vieram os agentes de fato preto e camisa branca, ouvia-se na telefonia o descarregar deslavado do autoclismo, agora o jardineiro só sai de casa quando açaimado em dias banais. Ficaram-lhe com as bolas, levaram-lhe o ouro, confiscaram-lhe a mulher mas ofereceram-lhe um motorista montado num jaguar prateado, um par de ligas rosa choque fluorescente, chamam-lhe doutor ou engenheiro, consoante faça sol ou faça chuva. É feliz nos discursos que lê para a nação.



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Uma nova raça invadiu o país da cadeira que matou o ministro. Réplicas quase genuínas à escala natural. - Há quem veja o mel e o maná do futuro na lente de uma super 8. Pessoalmente prefiro cabrito assado ou carapaus grelhados com arroz de feijão e um tinto do Alentejo. - Tais cadeiras trouxeram o desassossego do pensamento, inquietudes assomaram-se desejos e cobiçaram a mulher do patrão. Às quartas-feiras sai com o motorista, vai ao cabeleireiro depois enfia-se no motel até à hora de ir buscar os miúdos ao colégio. Asfixiado na lapela Channel do saia-casaco, o camafeu de brilhantes distribui enojados afectos sorridentes, gesticula, graciosamente proclama o fim do regime e o advento da nova raça. Quem puder que se sente.
















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